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Chás funcionais: benéficos para a saúde


                                                                                                                                    Fernanda Casagrande

Nutrição Funcional – CRN10-2591

O chá, que teve sua origem no Oriente há milênios, tornou-se popular em diversos países e também aqui no Brasil, sendo a segunda bebida mais consumida no mundo.

“Com a chegada do inverno, nada melhor do que um chá para esquentar, ainda mais quando escolhemos aqueles que fazem bem para a nossa saúde”! Assim começa a edição deste mês, com a nutricionista funcional e mestre em Nutrição pela UFSC, Fernanda Casagrande.

Fernanda explica que alguns chás são considerados alimentos funcionais por possuírem nutrientes e compostos bioativos que atuam na promoção da saúde e prevenção de doenças crônicas, quando consumidos como parte da dieta usual. “Eles podem auxiliar no bem-estar e na qualidade de vida, melhorando processos de ansiedade, insônia, problemas digestivos, resfriados e retenção hídrica”.

Os efeitos benéficos dos chás dependem de vários fatores incluindo uma adequada indicação e dose correta. A forma como a planta foi cultivada e colhida faz com que alguns tipos de chás tenham propriedades mais potentes que outros da mesma espécie. O modo de apresentação pode variar e comprometer os efeitos benéficos: ervas frescas ou secas possuem mais compostos ativos do que os sachês. Alguns chás prontos para diluir são pobres em substâncias ativas, além de possuir em sua composição maltodextrina (açúcar) e outros aditivos químicos.

É importante ficar atento ao horário de ingestão. “Os chás com cafeína, como o mate, preto e verde, devem ser evitados após às 18 horas, pois podem atrapalhar o sono. Já os de ervas calmantes, como mulungu, melissa e maracujá podem causar sonolência durante o dia. Os chás digestivos, como hortelã e erva-doce, devem ser consumidos mornos, meia hora antes das refeições, a fim de melhorar a secreção dos sucos digestivos”, alerta Fernanda Casagrande.

Modo de preparo

Para o preparo a partir de folhas, flores e frutos moídos, deve-se fazer uma infusão: a água é aquecida até o ponto de fervura. Desliga-se o fogo quando começam a surgir bolhas no fundo da chaleira. A água é vertida sobre a planta e a infusão fica em repouso por no máximo 10 minutos, tampada. Quando a água não é fervida, os óleos essenciais das plantas são preservados.

Para o preparo a partir de cascas, raízes ou pedaços de caule, faz-se a decocção: partes da planta são fervidas junto à água por 15 a 20 minutos. Alguns chás podem ainda ser preparados através de maceração: folhas, flores ou sementes são deixados de molho em água fria, por 10 a 12 horas.

Propriedades e efeitos funcionais dos chás

- Chá verde: a partir da oxidação das folhas da Camellia Sinensis é possível obter diferentes tipos de chás: verde, branco, oolong, preto,  matchá.

 O chá verde é o mais famoso tanto pelo consumo elevado quanto pela alta quantidade de compostos bioativos e funcionais. Ele contém polifenois, flavonoides e catequinas: o consumo regular promove redução da inflamação e do estresse oxidativo no organismo, prevenindo o desenvolvimento de doenças crônicas como o câncer, diabetes e doenças cardiovasculares. Além disso, quando associado a dieta e hábitos de vida adequados, o chá verde auxilia na perda de peso devido ao efeito termogênico (aumenta a temperatura corporal, acelerando o metabolismo e a utilização de gordura corporal).

Esta bebida tem altas concentrações de taninos, substâncias que podem inibir a absorção de nutrientes. Portanto, o consumo deve ser feito longe das principais refeições.

A quantidade de chá verde recomendada para garantir seus benefícios é de 4 a 5 xícaras por dia (1 colher de sopa para 500 mL). As folhas devem ser deixadas por 5 minutos em infusão (no máximo 10, pois o excesso de tanino liberado na água torna o chá muito amargo).

“Devido à presença da cafeína (substância que pode promover aumento da pressão arterial), hipertensos devem consultar um nutricionista ou um médico antes de consumí-lo”, alerta Fernanda.

O matchá vem se tornando popular devido à altíssima concentração de fitoquímicos e nutrientes, tendo efeitos antioxidantes, termogênicos e anti-inflamatórios mais potentes que  o chá verde.

- Chá de hibisco: rico em ácidos orgânicos e flavonoides, como as antocianinas e quercetina (promovem um efeito cardioprotetor, anti-envelhecimento, vasodilatador, termogênico e redutor da formação de novas células de gordura). Devido à ação diurética e antioxidante, este chá auxilia na eliminação de toxinas, redução de celulite e retenção de líquidos.

A orientação é consumir 3 xícaras diariamente, preparadas a partir da infusão das flores e botões do Hibiscus sabdariffa, espécie diferente da encontrada em jardins (1 colher de chá da flor seca/ 200 mL).

- Cavalinha (Equisetum spp): é uma erva com ação diurética suave, anti-inflamatória e antioxidante. Rica em silício, manganês, quercetina e compostos fenólicos. Auxilia na saúde da pele e cartilagens, diminui a retenção hídrica e auxilia em processos de cicatrização. Deve ser preparada em infusão por no máximo 10 minutos. Pode ser combinada com outros chás de ação diurética leve, como o de hibisco, mate ou verde.

- Erva-mate (Ilex Paraguariensis): pode ser preparada a partir de folhas secas e moídas (chimarrão, tererê) ou a partir de folhas tostadas (chá mate tostado). Estudos recentes evidenciam propriedades termogênicas, vasodilatadoras e moduladoras do perfil de gorduras e açúcares, atuando como coadjuvante na redução do LDL-colesterol e da glicemia. Por conter cafeína seu consumo deve ser evitado no período noturno.

- Boldo: o boldo do Chile (Peumus boldus) é indicado para melhorar problemas digestivos leves e distúrbios hepatobiliares, por estimular a digestão e secreção biliar. Possui atividade antioxidante e detoxificante em decorrência da presença de catequinas, boldina e compostos fenólicos. Entretanto, estas mesmas substâncias podem aumentar as contrações uterinas, de forma que este chá deve ser evitado por gestantes.

- Hortelã (Mentha spicata): possui ação carminativa, reduzindo gases e melhorando a digestão.  O consumo antes das refeições aumenta a secreção dos sucos digestivos, melhora as contrações do estômago e os movimentos peristálticos do intestino. Depois das refeições, é indicado para quem “comeu demais”. Pode ser associada à erva-doce, outra planta interessante no tratamento de distúrbios digestivos.

“É muito importante salientar que, mesmo com tantos efeitos benéficos, os chás não são medicamentos e não devem substituí-los. Além disso, seu consumo regular deve ser feito com orientação de um nutricionista ou médico, já que cada pessoa reage de forma diferente a cada tipo de erva, e algumas pessoas não devem fazer uso de determinados tipos de chás”, conclui Fernanda Casagrande.

                                                                                                                      Matéria publicada no Jornal Santa Mônica - julho de 2014