DIRETORA TÉCNICA MÉDICA:
DRA.MARIUTZKA ZADINELLO
CREMESC 9562 RQE 12418

Métodos Anticoncepcionais


Dr. Diego Di Marco Ataides

Ginecologia e Obstetrícia - CREMESC 19.291 RQE 10.968

 

A escolha do método anticoncepcional parece ser assunto tão simples que muitas mulheres preferem falar com a mãe, a irmã mais velha ou até com amigas ao invés de ir consultar um Ginecologista.

“Este comportamento, por um lado, aumenta o número de mulheres que se preocupa com o planejamento familiar, mas por outro lado pode trazer graves consequências advindas da escolha do método e/ou de seu uso incorreto”, analisa o Dr. Diego Ataides, médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia.

Na maioria das consultas ginecológicas o assunto "uso do método anticoncepcional" vem à tona, mostrando que apesar de populares, a maioria das usuárias tem dúvidas quanto ao uso correto de cada método.

Talvez um dos pontos mais importantes a ser abordado é o fato de que a anticoncepção na nossa sociedade ficou sob responsabilidade das mulheres, e não do casal, como deveria ser. Motivo que torna mais fácil a ocorrência da gravidez indesejada. Os homens têm como sua responsabilidade somente um método: o uso do preservativo. “Portanto, leitores masculinos e mães de meninos com hormônios aflorando, lembrem-se sempre deste fato, pois todos os outros métodos disponíveis dependem da mulher desejar utilizar e saber utilizar”, enfatiza o médico.

Esta responsabilidade que recaiu sobre as mulheres acaba por vezes deixando a 'culpa' de uma gestação indesejada totalmente sobre seus ombros. O Dr. Diego Ataides alerta: “Aconselho a explicar e compartilhar com o seu parceiro tudo que aprenderem e souberem sobre o método anticoncepcional, para que assim ele possa ajudar a lembrar de tomar a pílula, a data de aplicar a injeção, a fazer a revisão médica do DIU (dispositivo intrauterino) ou de pelo menos perguntar se você está precisando de alguma coisa para ajudar com a anticoncepção do casal”.

 

Método Anticoncepcional x Pílula Anticoncepcional

Termos parecidos e utilizados erroneamente como sinônimo por muitas pessoas, induzindo a pensar que a única forma de evitar uma gravidez é tomando a pílula: não é!  Vários métodos que utilizam ou não hormônios, estão disponíveis, e cada mulher se adapta melhor com um ou com outro: dependendo da idade, do número de filhos, doenças que possuem ou de outros remédios que precisam utilizar, entre outros fatores lembrados pelo ginecologista na hora da escolha.

JSM: o método anticoncepcional é escolhido por quem?

Dr. Diego: em conjunto, entre a paciente e o ginecologista, cabendo a nós, médicos, prover a paciente de conhecimento sobre prós e contras de cada método disponível para que assim ela possa optar. Este fato melhora muito a adesão ao método escolhido e diminui a possibilidade de falhas. Vale lembrar que o único método 100% eficaz é a abstinência sexual. Todos os outros, em maior ou menor grau, terão possibilidade de falha.

Muitas mães se preocupam com a idade que a filha deve iniciar o uso de um método anticoncepcional: não existe um consenso sobre qual é a idade ideal, mas deve ser preferencialmente antes de iniciar a vida sexual. E um grave erro que mães cometem é achar que não dar um anticoncepcional para sua filha irá adiar o início da vida sexual dela. Na verdade, os estudos mostram exatamente o contrário: meninas que utilizam pílula, costumam iniciar a vida sexual mais tarde do que aquelas que não usam. Acredita-se que o motivo seja uma maior preocupação em obter informações sobre sexualidade por parte das meninas que usam. Assim, elas conseguem saber escolher melhor o momento de iniciar a atividade sexual, e principalmente aprendem a se proteger de doenças sexualmente transmissíveis (DST).

“Nunca é demais lembrar que o único método anticoncepcional que também previne contra DSTs é a camisinha (preservativo), seja a masculina ou a feminina”, enfatiza o especialista.

Métodos não hormonais x métodos hormonais

JSM: os métodos não hormonais têm vantagens em relação aos hormonais?

Dr. Diego: métodos não hormonais têm a vantagem de não alterar o desejo sexual (todos os  métodos hormonais tendem a diminuir o desejo, em maior ou menor grau), e de não interferir nem sofrer interferência de outras medicações que a paciente usa. Exemplos: preservativo (camisinha); DIU de cobre; diafragma; tabelinha. À exceção do DIU de cobre, os outros possuem índices mais altos de falha do que os hormonais.

As vantagens dos métodos que contêm hormônios (que são a maioria) são: o controle de sintomas da tensão pré-menstrual (TPM); diminuição da quantidade e duração da menstruação; redução das cólicas, e altos índices de eficácia contraceptiva.

Métodos hormonais diferentes da pílula:

JSM: Além da pílula Dr. Diego, quais as outras opções para aquelas mulheres que não se adaptam ou se esquecem de tomar os comprimidos diariamente?

Dr. Diegodentre elas estão: o DIU hormonal, as injeções, o adesivo e o anel vaginal. Todos têm funções, efeitos colaterais e riscos semelhantes à pílula, sendo que a principal diferença é a forma como o hormônio entra na corrente sanguínea.

O DIU contendo hormônio é semelhante ao de Cobre. Porém, ele diminui muito o sangramento, e em alguns casos, até suprime a menstruação pelos 5 anos em que age no organismo, sendo um dos métodos mais eficazes.

As injeções podem ser aplicadas de duas formas: 1vez por mês ou a cada 3 meses (dependendo do tipo). É fundamental lembrar o dia certo da aplicação. Além disto, não esfregar o local da injeção e nem colocar bolsa de água quente no local, pois isto pode acelerar a absorção da medicação e ela pode não durar o tempo esperado.

O adesivo transdérmico é um método pouco difundido no Brasil. Porém, é muito eficaz e bom para quem não lembra de tomar a pílula diariamente. O adesivo deve ser trocado a cada 7 dias e a pele deve estar limpa e seca no momento da aplicação para que ele não saia antes dos 7 dias.

O anel vaginal é o método mais novo destes citados. Consiste em um anel flexível contendo hormônios que serão liberados diretamente na vagina e são absorvidos pela corrente sanguínea podendo agir durante 21 dias. Usuárias esquecidas se adaptam facilmente ao método, pois ele não atrapalha nas relações sexuais e nem é percebido durante o dia-a-dia. É colocado e retirado pela própria usuária e, caso ele saia do local antes da troca, basta enxaguá-lo com água corrente e recolocá-lo (num período inferior a 3 horas). Após 21 dias ele deve ser retirado e um novo anel pode ser colocado (após 7 dias ou conforme orientação médica).

Menstruar ou não menstruar? Eis a questão!

JSM: é seguro, para a mulher que pode utilizar hormônios, fazer uso contínuo do anticoncepcional hormonal para não menstruar?

Dr. Diego: a menstruação obtida com a pausa da pílula não é uma menstruação verdadeira, do ponto de vista médico, mas apenas um sangramento que ocorre pela retirada abrupta de um hormônio exógeno (que não é produzido pelo organismo). Algumas mulheres preferem menstruar todos os meses por sentirem-se bem assim. Outras querem evitar a menstruação durante as férias e menstruar normalmente após, e outras têm tanto pavor de menstruar que preferem métodos que inibam continuamente o período menstrual.

JSM: as mulheres podem então, por conta própria, usar a pílula continuamente?

Dr. Diego: evite de simplesmente fazer uso contínuo da pílula que você já faz uso, pois esta opção pode não ser a mais adequada. Mais uma vez, a paciente deve se aconselhar com o seu médico para que seja escolhida qual a pílula ou o método ideal para o objetivo desejado.

A escolha do método ideal

“Esta é uma tarefa que você e seu médico terão juntos! Todos trazem algum grau de benefícios, mas também de riscos. A opção por um método (pílula, por exemplo) abre um leque de variedades. Pode ser que aquele que fez bem para a sua amiga, não necessariamente fará bem para você. Costumo dizer que cada mulher é única, por isso o método anticoncepcional deve ser sob medida para você”, alerta Dr. Diego Ataides.

Converse com o seu ginecologista sobre métodos anticoncepcionais. Ele é a pessoa mais indicada para decidir em conjunto com você qual é o SEU método ideal.

Matéria publicada no Jornal Santa Mônica - maio de 2014